



Nos anos noventa, em meio ao caos político, à poesia marginal e ao cheiro de brisa vinda do Aterro, um grupo de estudantes da UFRJ decidiu oficializar o que já era prática comum: a divisão informal dos seus espaços, das suas ideias e até dos seus colchões.
Clara de Oliveira, aluna de Ciências Sociais e militante das ocupações estudantis da Ilha do Fundão, protocolou a criação da primeira república autogestionada da universidade: a R.U.A. — Resistência Urbana Acadêmica.
Criada como contraponto ao elitismo já entranhado na UFRJ, a R.U.A. serviu de abrigo para quem só queria sobreviver, estudar, fazer arte e não perder a dignidade mesmo morando a 3h de onde nasceu.Mas, como sempre acontece quando alguém grita "ninguém solta a mão de ninguém", alguém responde com uma planilha de Excel.
Em 2010, cansados de partilhar banheiro com dez, de ouvir Chico Buarque no violão às três da manhã e de discussões sobre propriedade privada enquanto a privada estava entupida, um grupo de alunos de Engenharia e Arquitetura (leia-se: ex-alunos do Santo Inácio e do Marista) fundou a república LÚMEN.
Não foi uma revanche declarada — mas se vestia como uma, falava como uma e cobrava aluguel como uma.Desde então, a UFRJ vive esse ambiente caótico entre as duas principais repúblicas estudantis da UFRJ.
Ambas abrigam mentes brilhantes, mas com filosofias de vida radicalmente opostas.
Uma limpa a louça logo depois de usar.
A outra... escreve “lava tu, burguês” com batom na pia.

Elegante, mas elitista.
A república Lúmen nasceu do desejo de manter um certo “padrão mínimo” para viver a vida universitária. Com plantas em todos os cômodos, janelas grandes, iluminação natural e até (pasme) máquina de lavar funcionando, é o lar ideal pra quem chegou com o nome já impresso no diploma.
Ali se encontram os melhores colocados no vestibular, estagiários da GloboNews, criadores de startups que ainda não deram lucro e futuros gestores de museus, hospitais e talvez do Brasil inteiro. Entre um brunch e um call do estágio, os moradores se ajudam mutuamente — trocando PDF’s, dicas de coach e, claro, comentários sobre como “a meritocracia não é tão ruim assim”.
Mas nem todo mundo lá é almofadinha: também moram os atletas da UFRJ, campeões das Interclasses e Interfederais, e os performáticos das ligas acadêmicas — aquele tipo de gente que chora vendo TED Talk.Na Lúmen, o companheirismo existe. Mas é discreto, organizado por planilha e com cronograma em Google Docs.

Caótica, mas viva.
A R.U.A (Resistência Urbana Acadêmica) não é só uma república, é quase uma instalação artística viva: os azulejos são pichados com frases revolucionárias, os móveis foram resgatados da calçada e os fios pendurados do teto formam uma espécie de galeria de arte involuntária.
Criada por militantes, poetas, músicos e estudantes que aprenderam a fazer miojo com fogão quebrado e café com filtro de meia limpa, é o refúgio de quem acredita que viver bem é viver livre — e barato.
Aqui mora aqueles que são mais chegados numa estética aconchegante e querem um cafofinho pra chamar de seu. Não têm muita mordomia, mas tem argumento pra qualquer roda de conversa. O povo da R.U.A. não combina entre si, mas se respeita: tem o militante das ocupações, a estudante de dança que só aparece às 3h, o artista plástico que nunca foi pra aula e o roteirista que vendeu um curta pro Porta.
Sim, o som é alto. Sim, às vezes tem gritaria. E sim, já teve intervenção da polícia — mais de uma vez. Mas entre a fumaça de incenso e outras coisas, sempre sobra espaço pra afeto, acolhimento e divisão honesta do que se tem (mesmo que seja só um pacote de bolacha e um cigarro de palha).Na R.U.A., não tem glamour. Mas tem história, tem aconchego, e tem bastante acolhimento pra geral. E todo mundo que passa por lá sai com cicatriz, tatuagem... ou pelo menos um poema escrito num azulejo...
CADA UM COM SEU CADA QUAL:
Lúmen e R.U.A, apesar de terem moradores completamente diferentes e contrários em personalidade, se completam e se contrastam uma com a outra.Luxuosidade nunca foi o ponto mais forte, e todos que têm um contrato de aluguel com a república R.U.A sabem muito bem disso. Mas, apesar de tudo, o local é confortável, é acolhedor, tem cheirinho de casa e de incenso e te faz lembrar que não há lugar como o lar. Isso não se aplica a R.U.A 1, claro — morando lá a única determinação que você vai ter é de levantar do seu colchão que você chama de cama pra se virar pra achar um lugar melhor. Ainda assim, determinação é determinação, independente de como ela venha. Sendo um morador da R.U.A, por noite descansada, você recupera 1 Pontos de Determinação.Já para os moradores da Lúmen, o ponto forte é completamente o contrário. As condições são bem mais ostentadoras quando o assunto é descanso, apesar de que, quando comparada às da R.U.A, não tem nem de longe a mesma qualidade de apego emocional. Independente disso, na Lúmen o que você vai ter é uma caminha bem quentinha, ar condicionado, um banheiro só seu e um chuveiro elétrico funcional que não queima de 3 em 3 dias. Sendo um morador da Lúmen, por noite descansada, você recupera 1 Ponto de Vida.Claro, dormir no quarto de um amigo pode ser sempre uma opção quando você tá precisando de coisas diferentes. Mas como nem tudo são flores, você vai ter que registrar em um turno mandando no chat de Turnos que está dormindo fora de sua república, senão contabilizaremos como você dormindo no seu quarto de sempre. À fins de incentivo a presença dos personagens nas repúblicas, QUALQUER lugar em que você durma que não sejam nos quartos das repúblicas será contabilizado apenas como 1 PV.
Quer saber qual quarto vai alugar e cabe no seu bolso? Consulte nosso Pinterest (@zonanorterpg) clicando acima para checar os visuais do seu próximo lar doce lar. Ah, os quartos tem vagas. Não, não tem reforma do Rodrigo Faro.
